terça-feira, 28 de março de 2017

rotina




rotina
bom dia

predomina

alegria






Livre pensar 06 - Viver o presente




Livre pensar 06

Viver o Presente


Da reflexão sobre nosso próprio comportamento poderíamos perceber que também é revolucionante respirar naturalmente, deixar as emoções se expressarem, não aceitar submissamente impedimentos morais. Deixar o tesão ter voto, a ternura, o desejo ter voto. Respeitar o próprio corpo, a própria mente, a própria vida nos seus atos cotidianos. Que também é revolucionante procurar caminhos para não ter que trabalhar no que desinforma ou que contribui para a manutenção dos que autoritariamente detêm o poder.

E, paralelo à reflexão, do trabalho consciente com o corpo, no sentido da recuperação da sua mobilidade natural, talvez pudéssemos perceber emoções há muito tempo suprimidas.

Esta auto revolução pessoal, de refletir e de trabalhar o próprio corpo, acredito que esteja dentro da área de atuação do ser humano individualmente: viver o presente, procurar as gratificações aqui e agora, buscar o homem novo em cada um de nós.


Reflexões sobre o Homem Novo

Está sempre presente na nossa cabeça a esperança de um futuro mais humano e mais gostoso. Volta e meia nos pegamos na expectativa de acontecimentos externos a nós – uma revolução social, um cristo, uma nova fórmula – que alterem o sistema atual e o ser humano.

Mas esquecemos que o caráter de cada um de nós está fundamentalmente impregnado de informações que, no correr da vida, recebemos tanto da escola, igreja, família quanto dos meios de comunicações e dos que estão ao nosso redor. E que nós mesmos estamos colaborando para a manutenção da moral atual, quando, nos atos e encontros de toda hora, transmitimos nossos preconceitos a nossos filhos, amigos, vizinhos, colegas de trabalho.

Quase nunca nos lembramos de transformações que estão dentro do poder de atuação de cada um de nós. Como se as sonhadas transformações sociais excluíssem as atualmente possíveis transformações pessoais - quando na verdade se complementam.

Das observações destes fatos veio a vontade de saber o que é necessário para o ser humano individual - eu mesmo - tomar consciência da irracionalidade de falsas verdades atuais, e alterar o seu - o meu próprio – comportamento. Na busca de um ser humano emocionável, lúcido, saudável, autônomo, vivo. É sobre este homem novo que procuramos refletir.

Luiz Fernando Sarmento

















segunda-feira, 27 de março de 2017

ah!




ah! à toa
vida boa


vai, vem, voa




transformações pessoais




Livre pensar 05

Transformações Pessoais


A revolução social não exclui a revolução individual: na verdade se complementam. Acredito que transformações pessoais sejam mais fáceis num lugar onde os problemas econômicos sejam resolvidos em função do bem-estar dos seres humanos. Em termos práticos, num lugar onde o que é produzido é distribuído justamente entre os que nele vivem.

Mesmo não sendo estas condições em que vivemos, são possíveis transformações pessoais revolucionantes. Um ponto de partida acredito ser tomar consciência de origens de fatos incômodos atuais. Em seguida, a recuperação da capacidade de sentir emoções. Acredito ainda que ou o prazer ou a raiva ou medo sejam a motivação principal de alterações de comportamento.

A sequência poderá ser: existir um incômodo e a percepção e busca das primeiras origens do incômodo pelo incomodado. Após esta tomada de consciência, recuperação da mobilidade física natural e, como consequência, recuperação da capacidade de sentir, se emocionar. Em decorrência dos sentimentos assim vivenciados, transformações pessoais difíceis de se prever.


A Busca das Origens dos Incômodos

Para isto, rever as verdades talvez seja um caminho. As verdades podem ser verificadas se permanecem verdades. As verdades atuais podem ser repensadas. Para ser verdade somente o verdadeiro, enquanto verdadeiro. Para deixar de ser verdade o preconceito, o moralismo, o basicamente falso.

Tudo que a igreja católica** nos ensinou não foi verdade durante tanto tempo?
O prazer a gerar o pecado?
O pecado a gerar o castigo?
A possibilidade de castigo a gerar o medo, a culpa?
A culpa, o medo a gerar submissão?

Sentir prazer? É pecado! Namoro, sonho, raiva, beijos? Pecados! Veniais ou mortais, do tamanho da culpa. Sentimentos e sensações suprimidos pelo medo, durante toda a vida. E cada vez mais insensível, mais homem, mais burro.

O correto, nos diziam, era a submissão. Submissão hoje, paraíso amanhã. Nada de aqui e agora. O passado com a “cultura”, o futuro com o “juízo final”. Com tanta pressão só nos restava, no presente, o medo.

E quantas verdades tão duramente implantadas em nós, na nossa infância e no correr da nossa vida, ainda permanecem inconscientemente como verdades? Mas se as repensarmos, formos às suas origens, com certeza os preconceitos deixarão de ser, as sensações de ridículo perderão suas fontes: as falsas verdades atuais.

Procurar e praticar os conceitos radicalmente humanos, ou adaptar-se aos preconceitos existentes? Dura luta. E esta luta tem uma importância maior do que a que atualmente lhe é dada. Atrás do preconceituoso, do moralista, está o ser mecânico.

Repensar as verdades estabelecidas, repensar como ato cotidiano, refletir em cada ação, isto é possibilidade de alterar o nosso mundo, ampliá-lo. E as verdades que construímos hoje? Para os nossos filhos, para os nossos companheiros de trabalho, vizinhos, amigos, nossos espectadores?

Para que sejam realmente verdades não há que separar o natural, fazer renascer o natural, ver a sua utilidade, dar-lhe um destino? Com certeza a revolução pessoal envelhecerá se as raízes não forem postas à mostra: exercitar o pensamento, refletir sobre os desejos expressos pelos que estão ao nosso redor. Não tentar moldar as crianças, jovens ou trabalhadores às nossas verdades atuais, tão duvidosas. É gastar muita energia para nada, é entortar o que cresce, é torná-los semelhantes a nós, no que temos de pior. Não é revolução: é manutenção da moral paralisadora. Da mesma moral que nos angustia, que nos coloca contra os nosso desejos mais naturais.




**
Hinduísmo, budismo, islamismo, judaísmo, cristianismo. Católicos, protestantes, kardecistas, umbandistas, candomblecistas. Batistas, metodistas, pentecostais, quacres. Xintoístas, taoístas, confuncionistas. Não tenho experiências de outras instituições religiosas. Sei que minha vivência pessoal na cultura católica mais contribuiu para minhas limitações de que para meu desenvolvimento integral -  seja emocional, intelectual ou espiritual.

Isto naturalmente não exclui o bem estar que cada uma das religiões possa ter propiciado a outros.  Acredito que ninguém melhor que cada um para melhor saber de si.


Luiz Fernando Sarmento






domingo, 26 de março de 2017

nada igual




o que hoje vivo
nunca antes vivi

é novo
aprendo


*

não conheço
nada igual

igual mesmo
nada nada

só conheço
desiguais

desiguais a esmo
todos tudo
mesmo












dia solar




A preguiça predomina.

Rebolo na cama,
semiconsciente, sonado,
etéreo estado,
bobo de sono...

E me alegro ao saber
que acordaste bem...

Dia com jeito de sol.
Tomo tento,
quase levanto e ando,
a cabeça visita fora,
o corpo inda demora,
esparramando...

Ossos à procura
da nua carne tua...


Novo dia, querida,
folha em branco,
escolhas, escolhas...

                                                                                                                                                    
O sol chama,
no tranco, levanto,
tomo prumo, 
rumo incerto,

saudação, movimentos,
presente aberto,
lá vou,

a pinçar sentimentos,
a catar alegrias
neste dia solar

inda sem saber
fazer não fazer
dormir não dormir
ir, não, ficar

tensão, rir de mim
brincar de trabalhar
relaxar, relaxar

o espírito aí, aqui
próximo
a pular de lugar

antes, agora
fora, dentro, ajo
saio do umbigo
contigo me acho


viajo e vou





Uma vida incomum 04 - O trabalho como prisão




Livre pensar 04

O Trabalho como Prisão


Para tentar mudar a situação – ou para manter a situação que lhe agrada - o poder reage com o controle e o castigo. A imagem antiga é a do feitor com o chicote. A imagem atual é a do relógio de ponto, do corte do salário, da suspensão, do controle de papel. Tanto controle se torna necessário, que uma grande quantidade de mão-de-obra é destinada a esta tarefa. O volume do trabalho de controlar pede utilização de tecnologia avançada. Entram os computadores. São formados especialistas em controles. Faz-se a ciência do controle. Isto, já há tempos, são fatos no Brasil, em boa parte do mundo.

Como resolver então o problema do aumento de produção, dito tão necessário? Em última instância, um dos fatores decisivos para o aumento de produção é a mão-de-obra. Em mão-de-obra leia-se gente.

A mão-de-obra deverá ter a sua produtividade aumentada. Poderá também ter o volume de tempo de trabalho aumentado.

Sigamos pelo aumento de produtividade: isto com certeza aumentará a produção. Como fazer com que isto aconteça? Tentando fazer com que a mão-de-obra participe por iniciativa própria? Tentando controlar o seu trabalho? Enfim: mão-de-obra autônoma ou mão-de-obra mecânica?

Para a formação de autômatos, reforçar o controle e o castigo é um caminho. Para a formação de autônomos, temos que refletir.


Anotações sobre a Autonomia

Nos anos 70 tentei me aproximar de assuntos ligados à relação corpo-mente, no ser humano. Acredito, como outros observadores, que, via de regra, o corpo é um espelho da história de cada um. A barriga, o olhar, o andar, o falar, são sinais da história de cada um. A nuca que dói pode ser sintoma do músculo que endureceu de tanta tensão provocada, por exemplo, pelo medo. A boca rigidamente fechada pode refletir a raiva tão longamente contida.

Acredito também, pela observação e alteração de mim mesmo, que a situação pode ser mudada. Um lado gratificante é a ampliação da percepção, o acesso a novos olhares. Uma boa e honesta conversa, também consigo mesmo. Parece, porém, ser indispensável tentar entender profundamente o ser humano, para apoiá-lo no seu novo parto. Para ajudá-lo a aprender a andar, pensar, agir, ser autônomo.

Antes, ou paralelamente, cada um por si tentar perceber o próprio corpo, suas emoções, sua própria mente, acredito ser mais do que necessário a todo aquele que tenta perceber os outros, orientar a outros, dirigir. Desenferrujar-se, aprender a lubrificar-se, tornar-se autônomo: um sonho possível de realizar-se.


Luiz Fernando Sarmento






sábado, 25 de março de 2017

O Norte





Obá! 
Alegria das boas.

jornal de Montes Claros, Minas Gerais,
acolhe o que escrevo,
publica minha primeira coluna,
página 2:




Livre pensar 01

Veneno para Crianças


Num mundo tão maluco como é o que vivemos, a todo momento  me pego querendo que outras pessoas se modifiquem, para que este mundo seja modificado. E quase sempre a alteração de comportamento de outras pessoas está fora do meu limite de atuação.

Gostaria que as pessoas que detêm o poder público fossem racionais e humanas, sábias, atuantes, ternas e de bom humor. Mas não tem jeito, muitas delas não conseguem enxergar soluções que parecem óbvias a pessoas que permanecem vivas.

Um exemplo próximo a todos nós é a televisão, com programas influindo diretamente no comportamento de quem os assiste: o moralismo, o preconceito, a violência, a fofoca quase sempre presentes. E se são crianças os espectadores, a tristeza se multiplica: quase 24 horas por dia a televisão está deformando adultos do futuro.

O homem aprende do que vê, ouve, tateia, cheira, bota na boca e sente. Desde criança transforma-se no que lhe é apresentado como modelo.

Enfim: o homem amanhã deverá ser fruto do que hoje aprende e sente. Quem hoje vê na TV a violência como ato rotineiro, talvez rotineiramente conviverá com a violência. E naturalmente outros exemplos de todos os momentos contribuem também para a deformação de homens de amanhã. Ontem mesmo não nos disseram que éramos a esperança do futuro? Nós não somos marcados pelos modelos que nos foram apresentados? O futuro de ontem não é agora?

Sinto-me impotente diante de tantas mudanças necessárias: o meu poder de influência sobre o atual estado das coisas é mínimo. O que fazer?

De tudo isto e de não sei o que mais, veio a necessidade de refletir sobre um homem novo. Falo por mim, cheio de dúvidas. Sem a certeza absoluta nas reflexões e nos resultados. A certeza de agora, o que acredito agora, tento traduzir.


Luiz Fernando Sarmento







Sartre, Simone e eu




Sartre, Simone e eu

Vi na tv outro dia o Sartre,
com quem não tenho intimidade, mas gosto,
em que ele falou algo assim:

Simone e eu escrevemos pra ser lidos.
A obra se completa com o leitor...

Isto me tocou
e tenho me organizado
pra compartilhar o que escrevo...

Os retornos afetivos
têm me alimentado emocionalmente,
como tenho me alimentado
com os sentimentos que me geram
as conversas em roda com amigos,
conhecidos e desconhecidos.

Em 2012 publiquei fisicamente
Uma Vida Incomum como Qualquer Um

E agora, 2014, tenho tornado público o
OQEAMA - O Que Está Ao Meu Alcance

Um está aqui:

Outro ali:

Ah! Como me tem feito bem
colocar no ar e no papel
o que me vai na cabeça,
coração!

Ahahahaha...!
Como me têm feito bem
retornos afetuosos em
pensamentos, palavras e atos!

Meu espírito, um espelho...
Sinto-me nestes momentos um gato!
Nascem em mim ritos...

Grato!!!



uma vida incomum 03 - atos fractais





uma vida incomum como qualquer um 03

atos fractais


Um pedaço representa o todo? Pequenos atos têm me dado informações sobre quem os pratica. Quem joga na rua o lixo que tem na mão me informa que não cuida dos outros. E talvez não cuide dos outros porque não aprendeu cuidar de si. Imagino: se não cuida de si, como cuidará de outros?

Mas, como diz Barreto, o Adalberto de Paula, só reconheço no outro o que conheço – tenho? – em mim. Pelo que percebo, outros pequenos atos me denunciam. Se jogo lixo no chão, se falo grosso, se furo fila, se bato em criança, se desperdiço água, se critico alegria, se rio das pegadinhas, da desgraça do outro...

Parece óbvio,
mas só há pouco tempo constatei que meu humor tem sido meu melhor indicador: se estou de bom humor, estou bem.

Agora sei que só consigo comunicar-me com quem me escuta. E vice versa. A comunicação se dá quando entendo o que me foi dito. E sou entendido.

Eu me sinto bem com cada ato que realizo para difundir o que sinto me faz bem. Ouvi e concordo: minha saúde é coisa muito séria para ficar nas mãos de outros. Se não cuido de mim, quem cuidará? A autonomia que me permito, desejo a cada um que a deseje.

O sítio de mamãe chamava sossego. Era seu desejo. Sem saber disso, meu terapeuta Romel sintetizava em cumprimento: saúde, sucesso, sossego.

Há espectadores que acreditam mais na TV que na realidade?

Em mim, é lento o processo de absorção de uma nova ideia, de mudança de comportamento. Há 7 anos desejo um sofá. Há 35 quero escrever um livro. Há 50 sonho ser dono do meu próprio nariz.

O que é novo me incomoda, me ameaça. Já desenhei o sofá, tento pela enésima vez escrever um livro, mas inda confundo meu nariz com o de outros.

Com defesas ativas como as minhas – que atrapalham a realização dos meus desejos originais – imagino quantas inovações, descobertas filosóficas, tecnológicas, insights, invenções, criações... estão disponíveis para a humanidade e não nos chegam ao conhecimento.

Percebo
que boa parte dos custos de empresas e empreendimentos é gerada pelos controles. Controlar dá trabalho, dá despesas. Por outro lado, a necessidade de controles diminui quando confianças mútuas estão presentes. Nas relações pessoais, familiares isto é nítido.

Tenho certo que necessidades de controle diminuem, se cultivadas relações de confiança. O medo gera controles. O amor gera confiança.

Percebo em minha prática individual que quando remunero satisfeito – financeira e emocionalmente – serviços que me são prestados, recebo de volta empenho espontâneo, com envolvimento e boa vontade. Quando cuido do outro, o outro cuida de mim, naturalmente.

Admiro a inteligência dos empresários que repartem lucros com quem com eles trabalha. É natural que cada trabalhador reconhecido se sinta reconhecido. E, tanto como se fosse seu, passa a melhor cuidar de tudo ligado ao trabalho: seja de equipamentos e insumos, seja de relações humanas com o público, colegas, demais stakeholders.

Administrador, gerente que cuida de quem trabalha próximo dorme tranquilo, vive melhor, tem assunto com os filhos. Não precisa esconder dos filhos malfeitos para os quais colabore. Feitores – antigamente? – tinham esta função: obrigar ao outro fazer o que não quer. Administrador que age amorosamente tem retorno amoroso. Parece complicado, mas é simples. É o tal do amor. O tao do amor?

Luiz Fernando Sarmento