sábado, 9 de dezembro de 2017

Veneno para Crianças




Veneno para Crianças

Num mundo tão maluco como é o que vivemos, a todo momento me pego querendo que outras pessoas se modifiquem, para que este mundo seja modificado. E quase sempre a alteração de comportamento de outras pessoas está fora do meu limite de atuação.

Gostaria que as pessoas que detêm o poder público fossem racionais e humanas, sábias, atuantes, ternas e de bom humor. Mas não tem jeito, não conseguem enxergar muitas soluções que parecem óbvias a pessoas que permanecem vivas.

Um exemplo próximo a todos nós é a televisão, com programas influindo diretamente no comportamento de quem os assiste: moralismo, o preconceito, a violência, a fofoca quase sempre presentes. E se são crianças os espectadores, a tristeza se multiplica: quase 24 horas por dia a televisão está deformando adultos do futuro.

O humano aprende do que vê, ouve, tateia, cheira, bota na boca e sente. Desde criança transforma-se no que lhe é apresentado como modelo.

Enfim: o humano de amanhã deverá ser fruto do que hoje aprende e sente. Quem hoje vê na TV a violência como ato rotineiro, talvez rotineiramente conviverá com a violência. E naturalmente outros exemplos de todos os momentos contribuem também para a deformação de homens de amanhã. Ontem mesmo não nos disseram que éramos a esperança do futuro? Nós não somos marcados pelos modelos que nos foram apresentados? O futuro de ontem não é agora?

Sinto-me impotente diante de tantas mudanças necessárias: o meu poder de influência sobre o atual estado das coisas é mínimo. O que fazer?

De tudo isto e de não sei o que mais, veio a necessidade de refletir sobre uma humanidade nova. Falo por mim, cheio de dúvidas. Sem a certeza absoluta nas reflexões e nos resultados. A certeza de agora, o que acredito agora, tento traduzir.

E assim tem sido. Desde 1981,
quando escrevi este texto acima.

Luiz Fernando Sarmento
www.luizsarmento.blogspot.com.br